Volume 5 - Número 9 - Julho de 2011 e-ISSN: 1981 - 7509
Quatenus mens rs omnes ut necessarias intelligit, eatenus maiorem in affectus potentiam habet, seu minus ab iisdem patitur.
Benedictus de Spinoza
Neste primeiro número do ano de 2011 de nossa Revista Conatus - Filosofia de Spinoza, estamos publicando nove artigos e uma tradução, sendo dois artigos internacionais (um da Bélgica e um do México) e sete nacionais (um da Bahia, um do Rio de Janeiro, três de São Paulo e dois do Ceará). Como de praxe, os artigos foram dispostos em ordem alfabética pelo primeiro nome do autor.
Assim, iniciamos nosso número com o artigo de Alex Leite, que nos apresenta o critério de constituição de uma vida humana ativa em Spinoza: a noção de summa laetitia.
No segundo artigo, Elainy Costa da Silva, apresenta a relação corpo e mente na Ética de Spinoza, ressaltando o caráter inovador de sua recusa da concepção tradicional da alma e o dualismo cartesiano, mostrando que a ligação corpo e mente e a relação de ambos ocorre de forma direta e imediata, pois estes são expressões finitas e qualitativamente distintas da mesma Substância Única.
A seguir, no terceiro artigo, Fokam Guillaume, doutorando-pesquisador em Filosofia da Université Libre de Bruxelles, a partir da afirmação geralmente aceita de que a filosofia de Spinoza é uma filosofia da liberdade ou da salvação, e também uma filosofia do amor, vai desenvolver a ideia de que a liberação passa pela afirmação do que Spinoza denomina “potência de agir”.
A seguir, no quarto artigo, Homero Santiago, da Universidade de São Paulo - USP propõe algumas considerações sobre o lugar da contingência, do possível e da possibilidade no espinosismo e sobre sua realidade como una variação determinada do real, ou seja, modalidades determinadas do real.
No quinto artigo, Izaias Ribeiro de Castro Neto, integrante do Grupo de Estudos do Século XVII, vinculado ao Núcleo de Pesquisas em Filosofia da História e Modernidade (NEPHEM/UFS), examina alguns aspectos atinentes à relação entre Fé e Razão, Filosofia e Teologia tal como abordada no Tratado Teológico-Político (TT-P) de Espinosa.
No artigo seguinte, José Ezcurdia, Doutor em Filosofia pela Universidad de Barcelona e professor na Universidad de Guanajuato no México, expõe algunas observações problemáticas em torno das afinidades e assimetrias que apresentam as doutrinas de Spinoza e Nietzsche sobre noções como a do homem livre que está além do Bem e do mal e o amor como caridade.
Luís César Oliva, também da Universidade de São Paulo - USP examina no interior do livro II da Ética de Espinosa, o aparente paradoxo entre a absoluta autonomia dos atributos na produção dos modos e a existência da mesma ordem entre os modos de cada atributo.
No artigo seguinte, Noé Martins de Sousa, da Universidade Estadual do Ceará – UECE, nos envia seu trabalho sobre o professor-pesquisador cearense, especialista em Spinoza, Alcântara Nogueira, no qual apresenta o pensador e sua obra à nova geração de professores e pesquisadores.
Em seguida, Tessa Moura Lacerda, da Universidade de São Paulo - USP, expõe os três momentos do diálogo de Leibniz com a filosofia de Espinosa: o texto Que o ser perfeitíssimo existe (1676), os comentários de Leibniz à Ética (1678) e o conjunto de comentários espalhados pela obra madura de Leibniz.
Encerramos este número com a tradução de Emanuel Angelo da Rocha Fragoso e Flora Bezerra da Rocha Fragoso, da Universidade Estadual do Ceará - UECE, da Carta XIX, datada de 05 de janeiro de 1665, escrita por Spinoza em resposta à carta XVIII, datada em 12 de dezembro de 1664, escrita por Blijenbergh. Esta carta dá continuidade à sequência de oito trocadas entre eles, sequência esta denominada por Gilles Deleuze de “Cartas do Mal”, seja pela temática tratada, ou ainda, pela intenção de Blijenbergh ao escrever a Spinoza.
Mais uma vez sentimo-nos na obrigação de desculparmo-nos com nossos leitores e colaboradores pelo atraso na publicação deste número, devido a fatores totalmente alheios a nossa vontade.
Aproveitamos para reiterar o convite a todos aqueles que se interessam pelo filósofo holandês, ou pelos temas por ele abordados, para que nos enviem seus textos para possível publicação em nossa revista, lembrando que os mesmos devem estar adequados às regras de publicação de nossa revista e também às novas regras da ortografia para a língua portuguesa.
Por fim, participo aos nossos leitores a boa notícia de que a partir deste número, a Revista Conatus- Filosofia de Spinoza está indexada em Dialnet.