Ensaio Sobre o Entendimento Humano (An Essay Concerning Human Understanding)
O An Essay Concerning Human Understanding, de John Locke, representa um progresso em confronto com os textos precedentes, contrapondo-se ao pensamento racionalista cartesiano fundamentado nas idéias inatas de cunho idealista, tão vigente na filosofia européia do continente no século XVII. Nosso objetivo com o presente trabalho é apresentar uma introdução geral ao texto de Locke, enquanto marco na fundamentação do empirismo inglês, com ênfase no processo lockeano de aquisição da verdade, conforme descrito no capítulo I do Livro I do seu ensaio, que tem como intenção maior negar que haja princípios inatos. Para isto, uma vez constatada que a única tradução portuguesa do texto de Locke está incompleta, faltando partes substanciais que poderiam compreender uma completa interpretação, foi formado um grupo de estudos, sob a orientação do Prof. Dr. Emanuel Angelo da Rocha Fragoso e do Prof. Dr. Expedito Passos, com o intuito de completá-la, traduzindo as partes que faltam e republicando o texto integral. Locke, em seu ensaio, propõe uma teoria do conhecimento, afirmando a importância da experiência sensível, ou empírica, na qual residiria, em última instância, todo o saber humano. Segundo ele, conforme descrito no parágrafo 15 do capítulo I, o processo de aquisição das verdades inicia-se quando os sentidos apreendem as idéias particulares, preenchendo o receptáculo até então vazio do entendimento humano, que, familiarizando-se pouco a pouco com algumas dessas idéias, as aloja na memória e lhes dá um nome. Posteriormente, a mente, dando prosseguimento ao processo, as vai abstraindo, apreendendo gradualmente o uso dos nomes gerais. Portanto, uma vez descrito o procedimento empírico possível de aquisição da verdade, torna-se desnecessário buscar outros procedimentos.