Por conseguinte, na vida, é primeiro que tudo útil aperfeiçoar, na medida do possível, o entendimento, ou seja, a Razão, e só nisto consiste a suprema felicidade, ou seja, a suprema beatitude do homem. É que a beatitude não é outra coisa que o contentamento da alma (animi), que provém do conhecimento de Deus. Ora, aperfeiçoar o entendimento também não é outra coisa que conhecer a Deus, os atributos de Deus e as ações que resultam da necessidade da sua própria natureza. Por isso, o fim último do homem, que é conduzido pela Razão, isto é, o seu desejo supremo, por meio do qual procura regular todos os outros, é aquele que o leva a conceber-se adequadamente a si mesmo e a todas as coisas que podem cair sob o seu entendimento.(Ética, Parte 4, Apêndice, Capítulo 4)